A memória do eleitorado direitista está em alerta máximo com a recente movimentação do ex-governador Mauro Mendes (União-MT) em busca do apoio da família Bolsonaro para sua pré-candidatura ao Senado. O histórico de embates, no entanto, é denso: o primeiro grande racha ocorreu quando Mendes liderou, junto a outros 18 governadores, uma carta aberta acusando o Governo Federal de usar canais oficiais para distorcer informações e gerar confrontos. Naquela época, Mendes era visto como um seguidor da linha de oposição liderada por João Doria, então governador de São Paulo — a quem os bolsonaristas apelidaram pejorativamente de "calça apertada". A resposta de Jair Bolsonaro na ocasião foi ácida, rebatendo as cobranças de Mendes ao expor o montante de recursos enviados ao estado.
O clima de hostilidade não parou por aí e escalou para críticas públicas onde Mendes acusava o presidente de "brigar demais" e não pacificar o país em um momento de crise sanitária. O ápice da tensão, contudo, deu-se no confronto direto com o deputado Eduardo Bolsonaro. Ao questionar a atuação do parlamentar nos EUA, o ex-governador não poupou palavras pesadas, chamando o filho "03" do presidente de "louco" e afirmando categoricamente que ele só "falava merda", o que rendeu ao ex-governador o rótulo de "político bosta" por parte de Eduardo em uma tréplica furiosa nas redes sociais. Esse histórico alimenta a tese de uma grande parte dos bolsonaristas de que Mendes não é de direita como afirma; para esses críticos, ele é o legítimo "político melancia": verde por fora, mas vermelho por dentro, sugerindo que, no fundo, suas convicções seriam de esquerda.
Agora, o cenário político exige uma costura que parece impossível para muitos aliados do ex-presidente em Mato Grosso. Enquanto Mauro Mendes tenta suavizar o discurso para garantir a benção da família Bolsonaro e unificar a direita em torno de seu nome para o Senado, a militância e os filhos do "Capitão" mantêm as feridas abertas, lembrando da época em que o governador marchava com Doria. O impasse coloca em xeque a viabilidade dessa aliança: restará saber se o pragmatismo eleitoral será capaz de apagar as marcas de uma relação pautada por trocas de insultos e acusações graves durante os momentos mais críticos do país.
MELANCIA? MAURO MENDES BUSCA BÊNÇÃO DE BOLSONARO APÓS LIDERAR GOVERNADORES CONTRA O EX-PRESIDENTE E CHAMAR EDUARDO BOLSONARO DE “LOUCO” QUE SÓ “FALA MERDA”
·
2 minutos de leitura